segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Tempo...



Tempo. Quanto tempo o tempo tem? Quanto tempo tenho contigo? 5 minutos. 3 horas. Um final de semana. 8 anos. A vida inteira. Quem irá dizer?

Sigo me perguntando por que só agora... depois de tanto (e por tão pouco) tempo.  Uma vida inteira pra provar que Einstein estava errado... Por que nem todo o tempo do mundo caberia no instante daquele momento.

De repente o que por tantos anos foi silêncio, resolveu gritar. E num misto de surpresa e ansiedade, me fizeste tranquila, calma. Sempre completando o que em mim faltava... Tão diferentes! 

E assim, no suave toque do teu carinho, minha ALMA foi tocada. Teus dedos pareciam conhecer todas as curvas do meu caminho... e com olhos fechados sabias exatamente onde chegar. O pouco tempo se fez infinito, e parecia não ter pressa alguma de acabar.

Tão natural... Teu colo, depois de tanto tempo.. sempre tão familiar. Teu corpo junto ao meu.. De tão próximos, pareciam perfeitamente se encaixar..
Teu cheiro, teu olhar.. não tiveste dificuldade alguma em tentar me decifrar. 

Pouco a pouco o que já era forte, se tornou imenso, profundo, completo. Preencheste todo o espaço que em mim faltava, e numa fração de tempo, fomos um. O sentimento, de tão intenso, não cabia mais em mim. Transpirava em minha pele, exalava ofegante no meu respirar. Me fizeste tua, completamente tua... e de corpo e alma nua, me entreguei a ponto de chorar.

E tu, ainda em silêncio, me beijaste tão suave.. a testa, a bochecha, a boca. Meu desejo era te abraçar tão forte que nunca mais pudesses te soltar.  
Nessa pequena fração de tempo, me fizeste descobrir pelo que esperei a vida inteira e nem sabia... ser suficiente. Completamente vulnerável, e nem por isso insegura. Estava exatamente onde deveria estar. 

E assim, na esperança de mais um encontro, em uma curva qualquer.. nessas loucas reviravoltas  que a vida dá.. sigo em frente. Guardando em segredo meu pequeno e eterno momento. Um sentimento único, tão intenso quanto verdadeiro.. desesperado pra acontecer de novo. E de novo. E mais uma vez.

Até daqui a pouco, amor... Quanto tempo a gente tem?




sábado, 9 de setembro de 2017

E lá vem ela. Cansada de mais uma viagem. A mais longa, talvez. Nunca esteve tanto tempo ausente. Seu cantinho continua exatamente igual. Talvez um pouco empoeirado, abandonado. Confesso que estava com saudade dela. Do seu jeito travesso, bem humorado e confuso de ser.

Ah minha pequena princesa teimosa... O que descobriste dessa vez? Que marcas te fizeram e quantas outras fizeste também? E essas malas? O que trazem dessa vez?

Teu olhar já não é mais o mesmo. Ainda carrega a alegria e doçura que te são tão peculiares... mas vejo também um punhado de tristeza, de cansaço. Oh não! Vejo desconfiança, medo... O que te fizeram minha doce e frágil menina?

Tanto busquei te proteger que acabei prendendo-te a mim, na esperança que escondida em meus braços estarias segura. Tarde demais percebi que segura-te só te levaria pra longe dos meus olhos... Perdoa, japonesa. Teu velho amigo cansado só tentou preservar em ti a pureza e a inocência, antes que o mundo, eu e todos os que nele habitam, pudessem te ferir.

Vamos, minha princesa. Me permita conhecer-te novamente. Descobrir tuas mudanças. Viver tuas descobertas. Sabes que em mim sempre encontrarás abrigo. Um colo quentinho, no peito do teu grande e velho, nem sempre tão sábio, amigo.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Seguindo Viagem..

"[...] E lá vai ela, minha pequena princesa teimosa. Tão certo quanto as voltas que o mundo dá, ela há de voltar. Boa viagem, minha doce menina. Não esqueça de levar um casaco... e lembre-se de não usá-lo sempre. Um conselho? Permita-se viver os bons momentos... de peito aberto, olhos fechados. Aproveite, faça valer a pena. Jogue fora as malas pesadas e velhas. Leve apenas o essencial... Se não, a viagem, ainda que bela, cansa. Não se preocupe com imprevistos. A gente resolve no caminho. E por fim, sabe o seu mapa? Deixe-o junto com as malas. As vezes os destinos mais felizes, são justamente àqueles inesperados."

domingo, 8 de setembro de 2013

Um novo caminho...

 
 
       "Os caminhos do ser humano são estranhos e incompreensíveis. Ama e, no entanto, anda por caminhos perigosos que, mais cedo ou mais tarde, machucarão as pessoas que são parte das coisas mais belas que recebeu de Deus. Age contra si mesmo. Torna-se seu pior inimigo. Oculta-se das pessoas como se essa fosse a soluçã, esquecendo que 'os caminhos do homem estão perante os olhos do Senhor' (Prov. 5:21).
        Na Sua misericórdia, Deus usa a própria consciência como luz para os olhos, chamando a criatura de volta. Mas o homem insiste em fugir, correr, achando que longe do seu Criador, terá um pouco de paz. ENGANA-SE! Quanto mais distante do seu criador, mais desesperado viverá. Mais angustiado, atormentado e infeliz, até chegar ao cinismo, terreno pantanoso, areia movediça que lentamente irá devorando a sua vida."
 
Paizinho,
Sei que meus caminhos nem sempre tem sido àqueles que Tu escolheste pra mim. Que muitas vezes decido seguir as rotas que eu acredito serem as melhores, as mais fáceis, mais seguras.. E no fim, tristeza e decepção são sempre o resultado. Estou cansada, triste, envergonhada e machucada.. E pior do que isso, tenho ferido pessoas que eu amo, e que me amam. Tenho caído, falhado.. perante eles e perante ti. Te peço hoje que reassuma o comando da minha vida, e mais do que nunca, se faça presente, real, em cada detalhe do meu dia a dia. Que te mostres o paizinho de amor e misericórdia que és. Que cuides de mim com aquele amor inexplicável.. com todo o carinho e cuidado que só tu tens. Que tires as vendas que me impedem de te enxergar, de ouvir a tua voz, teus sábios conselhos.. Que arranque de mim a minha auto-suficiência, meu orgulho.. e que eu me torne tão absurdamente dependente de Ti, que me sinta incapaz de dar um só passo sem antes ter a Tua direção. Amém.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Minha princesa teimosa


"Por que andas com essa cabecinha baixa, minha princesa? E esses olhos tão lindos? Por que se afogam em lágrimas? O que o mundo te fez desta vez? Ou será que foste tu que fizeste a ele? Não deu certo de novo, não foi? Imaginei..

Por que insistes nisso, minha pequena princesa teimosa? Quando vais aprender? A vida lá fora não é assim tão linda e doce quanto pensas. Nem tudo é cor de rosa. Mas também não é assim tão cruel. É tempo de entender que nem todos vão te querer tão bem quanto queres a eles. Faz parte da vida. No fundo, são todos bons. Cada um à sua maneira, de acordo com seus próprios julgamentos. Ser diferente do padrão, é completamente normal.

Pare de se doar mais do que deves. Acaba não sobrando nada de ti. Tenha o cuidado de não se obrigar fazer feliz a todos, às custas da tua própria felicidade. Acredite.. Eles vão se recuperar sozinhos. Seja tão somente.. você.   Ainda que cheia de defeitos. Apenas seja. Sem máscaras, sem drama, sem lágrimas. Sem mais.
            E levanta essa cabecinha, princesa. Se não, a coroa cai."

Meu último ano!



Primeiro de agosto de 2013.

Algumas pessoas começam a contar o ano no dia primeiro de janeiro. Mas eu, bem.. Esse ano pra mim, começa agora. Por que? Porque falta exatamente um ano.. pro início do resto da minha vida!

Durante meus 22 anos de existência, vivi tudo o que me foi determinado viver. Obedecendo do despertador, aos desejos do meu cachorro. A tudo e a todos. Carreguei os problemas de todos os que passaram na minha vida, como se fossem meus. Doei cada centímetro do meu coração, esgotei absolutamente todas as minhas forças... tentando ser a melhor. E não digo isso de forma egoísta. Tentei, inutilmente, ser perfeita. No sentido de ser a melhor filha, a melhor amiga, a melhor irmã, a melhor aluna, a melhor médica, a melhor namorada, enfim.. Aquela a quem nada nem ninguém poderia colocar defeito. E isso me consumiu. Levou embora minha felicidade, minha personalidade. Meus sonhos, meus desejos, minhas vontades. Meu pensamento próprio, meu livre arbítrio.. Até que me dei conta.. do quanto eu me "robotizei". 

Aprendi a manipular. Meus sentimentos, meus pensamentos, palavras, pessoas. Descobri como organizar palavras sem nexo de tal forma que soassem emotivas.. E tocasse o coração das pessoas, sem que elas nem ao menos entendessem o que estavam lendo. Apenas com o poder do som. E foi então que eu entendi o quão fácil somos influenciáveis. E o quanto eu fui influenciada durante todos esses anos.

Chegar aos 22 anos de idade e se perguntar: Quem eu verdadeiramente sou? Parece uma grande estupidez. E quer saber? Que seja. Mas não vou esperar mais 22 anos pra conseguir definir tudo isso. E acredito sinceramente que muita gente morre sem saber. Cheguei finalmente à conclusão, que todos estampam em suas "frases célebres" no istagram, na internet, ou no facebook. Todos tão "Clarisses Lispectors.." mas poucos realmente vivem o que escrevem.

Eu preciso ser feliz. E não simplesmente "estar" feliz. Me amar.. ser loucamente apaixonada por mim.. E isso não é errado. Não é narcisismo, muito menos ser egoísta! Por anos acreditei ter o incrível dom de abrir mão de mim em prol dos outros.. E ainda acredito nisto.. Mas tudo, tudo na vida tem um limite. E até então, eu não tive. Meu dom se transformou em maldição. 

Nos últimos anos, últimos 5 pra ser mais específica, aconteceram tantas e tantas coisas na minha vida! Fui do céu ao inferno e voltei, pelo menos umas 5 vezes. Vivi o que nunca imaginei, sofri, chorei, amei, desamei.. E, apesar de super intensos, foram sempre divididos. Sempre metades. Enfim chegou a hora de viver a minha, e somente a minha vida. Por mais egoísta que soe.. As vezes precisamos parar.. e recomeçar. Aprender quem somos, do que gostamos.. o que toleramos e o que não iremos suportar. Precisamos primeiro descobrir nossos limites, para então, poder superá-los. E isso, se quisermos. Se não, quem irá nos culpar?

Chega de culpas, de desculpas. Chega de "justificativas". De tentar amenizar a dor, o sofrimento alheio.. com meias verdades. No fim, meias verdades são completas mentiras. E daqui pra frente, antes uma dura verdade, que uma doce ilusão. Decidi ser, de uma vez por todas, 100% fiel a quem eu sou. Dizer não, quando não quiser alguma coisa. Sem necessariamente ter que dar explicações. Me contentar com um "Não quero, obrigada". "Não gosto". Sem me esconder atrás de um "não posso porque tenho um outro compromisso", ou "não devo por causa disso, daquilo, etc". 

CHEGA de tentar agradar a todos.. por mais infantil e egoísta que isso pareça! Daqui a um ano, não terei mais como usar essas simples e velhas desculpas. Daqui a um ano, sou médica. Carregarei no nome, na profissão e no carimbo, a responsabilidade de VIDAS.  Terei que tomar decisões que afetarão completamente o meu futuro.. E como cuidar do próximo sem antes aprender a cuidar de si? Como tentar resolver os problemas alheios, quando estamos lotados de problemas internos? 

Chega de máscaras, de hipocrisia, de comportamentos pré-moldados. De seguir ordens simplesmente.. Quero entendê-las. Seguir sim, se achar que devo. Sem me preocupar como o que os outros vão dizer ou pensar! Eles pensam e dizem de qualquer jeito... mesmo sem saber, sem ver, sem provas. Também não me importa mais. Deixa que falem..

Só sei que de um tempo pra cá, estou me descobrindo. E me amando, de verdade. Cada pedacinho de mim... Doa a quem doer, só não vai mais doer em mim.. No fim, é assim que todos deveríamos ser. Se usássemos menos máscaras, talvez descobriríamos o quanto somos parecidos, sem precisar forçar a barra. Ser mulher, humilde o suficiente pra aceitar meus defeitos e limitações.. pedir desculpas quando estiver errada. E não mudar minha opnião quando acreditar que estou certa. Simples assim.

"Fechei os olhos e pedi um favor ao vento: Leve tudo o que for desnecessário. Estou cansada de bagagens pesadas. Daqui pra frente, apenas o que couber no bolso e no coração". Cora Coralina.

Ps: Eu sei, texto grande, desabafo, nada poético, nada simétrico, nada de métrica, rima, ou formalidades. Preciso, preciso escrever. Sempre que deixo de escrever, é um pedaço da minha vida que não estou vivendo.. apenas existindo. E isso eu não quero nunca mais!



terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Noite de ano novo.. de novo.

"[...] O silêncio lhe parece tão confortável que chega a se questionar se a solidão seria seu destino. Divaga em seus pensamentos.. sem se cobrar alguma conclusão. Que saudade estava de si mesma... tanta, mas tanta.. que hoje, só ela, se basta."