sábado, 25 de julho de 2009

"O que passou, passou.."



O passado conta a nossa história. Traz lembranças, que talvez só o nosso coração saiba interpretar. São mentes que guardam memórias, tristezas, alegrias.. e que conseguem com pouco ou muito esforço, transformar tudo em realidade num simples fechar de olhos. Há muitas pessoas que preferem fingir que esqueceram o passado. Outras dizem que ele as condena. Eu particularmente acho que o passado é um grande professor. Se nossos planos deram certo, ótimo. Que bom lembrar. Mas, se deram errado, aí sim é preciso lembrar, ainda que seja uma única vez, para aprendermos a lição e não errarmos novamente no futuro.
Contraditóriamente, há pessoas que se apegam demasiadamente ao passado, passando a nele viver. Revivem momentos acabados, choram lágrimas já derramadas, e se fixam de maneira tão forte, que transformam o presente em nada mais do que algo que no futuro, será passado. Talvez por ter sido bom demais, talvez por medo. Deixam de viver o hoje, para chorar o leite derramado.
Erros, todos cometemos. Bobagens, tolices. Coisas que certamente mudaríamos se pudéssemos voltar atrás. Mas o fato é que não podemos. Simplesmente.. não podemos. Podemos mudar o presente, e assim, transformar o futuro. E para um futuro brilhante precisamos aprender as lições que o passado nos ensinou, sacodir a poeira, e chutar a bola para frente. Para um futuro brilhante, é necessário deixar o passado ir..
Uma ferida jamais cicatrizará enquanto for cutucada. E quanto mais tempo durar esse "tormento", maior será a cicatriz, e mais feia. O passado quer ser passado.. e só quem pode prendê-lo ou soltá-lo é você. Seja um amor, uma amizade, uma briga, um momento.. Então, se você quer um futuro brilhate, simplesmente deve deixá-lo ir..

domingo, 19 de julho de 2009

Cadê o "vale a pena"?



Durante muito tempo, tenho ouvido conselhos de amigos quanto aos meus ideais de relacionamento e meus conflitos no racional x emocional. Por algum tempo, até cheguei a pensar realmente na possibilidade de deixar-me levar, me entregar, e viver sem planejar os meus dias de 15 em 15 minutos, como estou habituada a fazer. Cogitei a possibilidade de deixar-me envolver, permitir que alguém entrasse na minha vida, e conhecesse os meus segredos. Passei a sonhar com o pequeno pedaço romântico adormecido dentro de mim, e comecei a desejar que acontecesse algo realmente assim na minha vida. Até que há uma semana atrás, uma amiga me ligou desesperada, quase não conseguindo falar, soluçando em prantos, porque tinha acabado de descobrir que seu namorado (há 3 anos) lhe traia loucamente com uma amiga de ambos. O que dizer nessas horas? Mesmo após todos os meus argumentos racionais, ela continuava a chorar desesperadamente.. e nada que eu falava parecia fazer efeito. Como entender a traição? Como superá-la? E não somente a traição em si, no aspecto da OUTRA. A traição de sentimentos, da confiança, dos planos bolados juntos, dos sonhos, do coração.. A decepção. Como ela disse, não sentia raiva. Sentia decepção, tristeza..
Durante uma semana, minha amiga parecia um lixo. Praticamente não comia, a não ser quando eu fazia algo, e a obrigava a comer. Seus olhos estavam mais inchados que alguém em crise alérgica, e as glândulas lacrimais simplesmente não paravam de trabalhar. Minha amiga, tão cheia de vida, que sempre se mostrou tão forte, tão segura de sí, tão soberana no mundo masculino, estava reduzida a lágrimas e desmotivação. Simplesmente não fazia nada a não ser chorar e dormir. COMO DIZER QUE ISSO VALE A PENA? Vale a pena se entregar e quebrar a cara dessa maneira? Não é justo! Aonde estão todas as pessoas que gritam para o mundo ouvir que vale a pena se entregar, quando quebramos a cara, e somos traída por todos, e por nós mesmos, e simplesmente perdemos a motivação da vida..? Quando tudo o que sentimos é tristeza, vergonha, humilhação, vontade de morrer, desaparecer, apagar tudo, tudo, tudo da cabeça e simplesmente somos torturados com lembranças, objetos, vozes.. Como eu posso entender que vale a pena chorar, e se torturar voluntáriamente desse jeito? E o pior de tudo, é que quando perguntei isso a ela, mesmo naquela triste situação, ela soluçando me falou.. Vale a pena. Vale sim.

Não consigo entender. Não mesmo. Me desespero ao pensar que jamais conseguirei amar realmente uma pessoa a ponto de deixá-la ir. A ponto de entregar a minha total confiança, mesmo sabendo dos riscos.. Me desespero ao notar o quanto me afasto cada vez que alguém parece mecher comigo. E o quanto nos tornamos vulneráveis quando amamos alguém. Como nos tornamos frágeis e fortes ao mesmo tempo. Simplesmente não consigo aceitar que vale a pena.

Há, quando chegar a hora, eu sei que vou aceitar, ou melhor.. nem vou precisar aceitar, porque dizem que quando o amor chega de verdade, a gente simplesmente não consegue lutar contra, não consegue resistir, não temos escolha. Ele vem e toma conta..

Para mim parece um tanto quanto poético.. mas, quem sabe quando chegar a hora, vou confirmar tudo, não? Mas, será que alguém pode dar o endereço do meu coração à esse tal de amor? Porque eu acho que ele anda meio perdido.. rs.

=*

quarta-feira, 15 de julho de 2009

No dia do casamento, o voto..




             Meu amor. Eu, Helena Brandão, diante deste altar, perante Deus e todo o universo, declaro a quem quiser ouvir, que não só aceito você como meu legítimo esposo, mas desejo, e a cada dia mais, passar o resto da minha vida ao seu lado. Prometo amar-te, e muito mais do que isto. Prometo também respeitar-te, e estar não somente do seu lado, mas com você. Na saúde, mas ainda muito mais na doença. Porque o amor pode não sarar todos os males, mas sempre conforta o coração. E, se como médica não puder curar suas doenças, ao menos serei quem vai em lágrimas segurar bem firme a sua mão. Na riqueza, e ainda mais na pobreza. Pois as jóias mais raras e caras desse mundo jamais substituir o lindo brilho dos seus olhos, e a felicidade que eu sinto ao ver o seu sorriso. Quando você estiver alegre, mas principalmente quando você estiver triste. Porque eu quero ser quem vai passar a mão nos seus cabelos, enxugar as suas lágrimas, e te dizer palavras de um futuro bom. Eu quero ser quem vai ajudar você a levantar de manhã, e te dar coragem para enfrentar um novo dia. Eu quero ser quem vai acordar um pouquinho mais cedo, sair sutilmente da cama, descer para a cozinha, e preparar todos os dias o melhor café da manhã que eu puder. Eu quero ser quem vai chegar em casa cansada do trabalho, mas ainda assim, vai se preparar, se perfumar, e esperar ansiosamente pela sua chegada, quando não puder voltar junto com você. Eu quero ser quem vai, com você, criar nossos filhos, e assisti-los crescer. Eu quero ser quem vai envelhecer ao seu lado, e sorrir a cada nova ruga que em nossos rostos, aparecer. Quero todas essas coisas e muitas outras mais. Mas principalmente, quero você. Quero você para estar do meu lado, amar-me, respeitar-me, e dividir comigo os meus melhores momentos, e os piores também. Porque o mundo é mais colorido quando estou com você. E é você o responsável pelos meus melhores sorrisos, e pelas lágrimas mais emocionadas que insistem em surgir. É você o responsável pelo brilho nos meu olhos, e é nos seus braços, em seus abraços, que eu encontro paz. É no seu pescoço que o meu rosto encaixa, e é entre os seus dedos que os meus querem estar. É você quem acelera o meu coração e me faz suspirar a cada encontro, e morrer de saudade a cada despedida. É você quem eu quero que esteja presente em todos os dias da minha vida, e à noite, nos meus sonhos. Por tudo isso, e muito mais, é que eu não consigo sequer imaginar como seria passar um segundo a mais do meu futuro sem você. Porque mesmo com todas essas palavras, eu não consigo traduzir a felicidade e emoção que eu sinto ao te dar essa aliança, e dizer que te aceito, meu amor, como meu marido. Ontem, hoje e durante todos os dias que virão, é você. Te amo.

sábado, 11 de julho de 2009

Em términos de namoros...



Esse ano, como diz o povo da minha cidade, "passou a bruxa destruindo".. É uma expressão popular, que significa mais ou menos: Términos de namoros em massa!!!

Assim como eu, muitas amigas estão desfrutando da vida de solteiras, algmas felizes, outras nem tanto assim.. Graças a isso, estava pensando numa maneira de ajudar.. E aqui vai a reflexão que eu fiz..


Amor. Será que era amor? De verdade? Daquele, do tipo "pra sempre", "que suporta todos os problemas", ou que "vence todos os obstáculos", "amor perfeito"..? Será que era?

Na construção de um amor, deve-se lembrar..

Se o amor não resiste à alguns dias de TPM, como resistirá aos anos de casamento?
Se o amor não resiste à divisão de atenção, como resistirá aos filhos?
Se o amor não for intenso, como resistirá à rotina?
Se o amor não for praseroso, como resistirá aos pesados dias de trabalho?
Se o amor não for forte, como resistirá às ondas de problemas que a vida nos impõe?

Mas acima de tudo.. se o amor não for real no pensamento, nos sentimentos, como resitirá à vida real?

Se o amor não for paciente, morrerá na primeira briga.
Se não for perseverante, morrerá na segunda.
Se for egoísta, acabará por si só, se consumindo.
Se não for intenso, será destruído pelo tempo.
Se não for praseroso, se tornará um fardo, mais pesado do que você consegue carregar.
Se não for forte, se quebrará com o primeiro vento.

Deus escreve certos por linhas tortas. Acredite nEle e refaça a sua vida. Vire a página. O que passou passou, e a vida continua. Se valorize, você já chorou o que tinha p/ chorar. Não adianta chorar o leite derramado. O que está feito, está feito. É preciso superar, é preciso ATITUDE. E eu estarei sempre aqui p/ te ajudar a superar mais esse problema, e todos os outros que você tiver.

Só não chore. "Suas lágrimas derramadas podem distorcer a sua visão do seu novo amor", e "Se alguém merecesse as suas lágrimas, JAMAIS lhe faria chorar".

À todos nós, um amor verdadeiro! Tim-tim!

IMAGEM: Pode parecer assustadora, mas a mensagem que eu queria passar é: P/ que esse amor fosse capaz de unir os 2, inclusive nesse momento angustiante que é a hora da morte, é por que dentro DOS DOIS corações, ele já estava infinitamente mais consolidado".

(=

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Quer saber?



Quer saber? Eu não tenho vergonha de ser chamada de filhinha do papai. Quero muito minha independência, mas me orgulho de poder fingir que estou dormindo no sofá, só p/ ganhar um super beijo dele quando chega do trabalho. Gosto de receber seu carinho, ou quando ele me abraça com força e diz que vou ser p/ sempre a sua garotinha. Quer saber? Isso não me faz menos independente, ou infantil. Me faz feliz.
Quer saber? Não tenho vergonha de fazer uma faculdade particular. Sei da minha capacidade e acredito que ralar para passar numa pública, sem livros na biblioteca, e com cadáveres mumificados não me fará ser uma melhor profissional, simplesmente por ter um nome FEDERAL, ou ESTADUAL.
Quer saber? Não tenho vergonha de dizer que em casa passo o dia de pijama e meia, e nos meus dias de preguiça, tomo banho só perto do almoço. E alguns dias, almoço enlatados pela simples falta de vontade de sujar panelas. Ou melhor, de lava-las.
Quer saber? Não tenho vergonha de admitir que já namorei alguns garotos, e que eles não me aguentaram. Não tenho vergonha de admitir que sou chata de vez em quando, e que tenho preguiça de responder mensagens de texto, principalmente de madrugada. Não tenho vergonha de dizer que sou direta até demais, e que sou "difícil de agradar", e me desapego muito fácil. Não tenho vergonha de dizer que tenho noção dos meus limites, e que ainda assim, não vejo nada de mais em tentar superá-los. Não tenho vergonha de dizer que AMO a minha família mais que TUDO nesse mundo, e jamais trocaria qualquer passeio com eles, por ciuminhos bobos. Não tenho vergonha de admitir que sou cristã, e sigo os 10 mandamentos tradicionais, amo a Deus, espero a Sua volta à esse mundo, e sou feliz assim. Também não tenho vergonha de admitir que já fiz coisas erradas, e desobedeci meus pais. Não tenho vergonha de admitir que uso chapinha de vez em quando, e que até prendo a respiração na hora de bater fotos. Não tenho vergonha de dizer que sou muito capaz de devorar uma barra inteira de chocolate, ou um pote grande de sorvete sozinha, em menos de 10 minutos. Ou de admitir que me derreto por um prato de purê de batatas. Não tenho vergonha de dizer que sou gordinha sim, e tenho celulites. Não tenho vergonha de preferir assistir um filme em casa, com meu capuccino, enrolada no edredom, a ir ao cinema, disputar um ambiente com sei-lá-quanta pessoas. Não tenho vergonha de admitir que chorei mais assistindo ao comercial da pedigree sobre adoção de cães, do que nos términos dos meus namoros.
Quer saber? Eu sou assim. E talvez, se todas as pessoas fossem mais sinceras, viveríamos num mundo sem máscaras, ou gente plástica, falsa e hipócrita. Adianta alguém gostar daquilo que você não é mas desejaria ser para agradar o outro, que pensa que você é o que não é, não foi e nunca será?
Eu não sonho isso p/ mim. Nunca disse que seria perfeita. Não me envergonho de absolutamente NADA do que fiz, e nunca vou pedir desculpas por ser assim. Se alguém gosta de mim, bem. Se não, somos todos livres.. Para ser e fazer o que bem quisermos. Como ser humano, e com um pingo de respeito que a sociedade ainda merece, gosto da vida, gosto de viver, gosto de pessoas, e quero ver o mundo inteiro sorrir. Sorrir e gostar de quem eu sou, sendo simplesmente eu mesma. Num mundo transbordado de mentiras, eu não serei mais uma.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Sayuri em 5 minutos.



Quem é você? Como é você? O que você faz? Como você age? O que você fala? No que você pensa? O que você quer? Qual o seu lema? Em quem você acredita? Um apelido? Uma frase p/ finalizar?

-Eu sou Sayuri Kawamura Barcellos de Albuquerque. Brasileira, 18 anos, quase 19. Filha de Markus Barcellos de Albuquerque e Ecy Kawamura Barcellos de Albuquerque, irmã de Yuji Kawamura Barcellos de Albuquerque.

-Sou descendente de japonêses. Tenho 1.64m de altura, minha massa corresponde à 53Kg. Uso óculos e, às vezes, lentes de contato. Quase sempre você me encontrará de pijamas, em casa, ou jeans-camiseta-tênis fora dela. Durante a semana, com um jaleco pendurado no braço.

Sou acadêmica do curso de medicina, estagiária do Hospital Adventista de Belém, no bloco cirúrgico, unidade de terapia intensiva, urgência e emergência, e postos. Também sou musicista, e escritora nas horas vagas.

As frases que guiam as minhas ações são: Seja a melhor que você puder. Busque a perfeição e sonhe o mais alto que conseguir. Se um dia você falhar, não se decepcione. Tenha a consciência tranquila de que você fez o seu melhor.

Eu falo aquilo do qual o meu coração está cheio. Não falo palavrões. Tento falar de maneira gramaticalmente correta, adequando a linguagem aos diversos tipos de padrões e situações. Sempre lembrando que o importante da linguagem é a comunicação.. correta.

Penso no presente, planejo o futuro e guardo na lembrança o passado.

Eu quero a vida, quero o mundo. Quero uma família, uma profissão. Quero ser a melhor médica, a melhor filha, a melhor amiga, a melhor irmã. Quero Deus, quero meus amigos, e esses, quero muito, muito bem. Quero menos maldade, mais simplicidade. Quero pessoas felizes, quero a minha felicidade. Quero oportunidades para todos, quero igualdade. Quero relacionamentos, quero cumplicidade. Quero a mim, quero aos outros, quero a humanidade. Quero mais justiça, menos impunidade. Quero acima de tudo, dignidade.

Viva a sua vida de maneira digna e honesta, fazendo o seu melhor, doando-se completamente àquilo em que você acredita, e agindo de tal maneira, que alguém possa se orgulhar de você, inclusive você mesmo.

Eu acredito plenamente em Deus. Acredito humanamente em minha família, e em meus amigos. Quanto ao resto, pago à vista.

Japa nerd gatinha. Iceberg. Coração gelado. E outros mais, que não compensa dizer.

Ame. Ame tudo o que você faz, e faça tudo aquilo que ama, respeitando a liberdade alheia, para que seja respeitada a sua.

IMAGEM: Sayuri aos 14 anos, quando ainda brincava com bonecas.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Primeiro amor, Amor? última parte.



A não ser.. um pai doente.
Aos 43 anos, seu pai Jorge, tinha sofrido um Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico, o popular "derrame", e estava em coma induzido por medicações na Unidade de Terapia Intensiva do hospital Albert Einstein, em SP.
Aqueles 3 dias foram os piores da vida de Luana. Sentir que a vida do seu pai estava por um fio, já era muito triste. Mas pensar que ele poderia morrer sendo enganado pela sua prórpia filhinha, aquela, que ele sofreu tanto pra criar, era terrivelmente deseperador.

Luana tinha sede pelo descobrir. Aprender e viver coisas novas sempre foi a sua paixão. Mas ter o coração dividido entre dois amores, definitivamente era uma situação nova a qual ela jamais desejaria ter vivido. A angústia de não saber o que fazer, qual dos dois homens da sua vida escolher, era a pior de todas as sensações.

Ao olhar seu pai tão tranquilo dormindo, em coma, pensava se realmente valeria a pena o importunar com uma verdade grande, porém talvez desnecessária naquele exato momento.. Qual seria o certo a fazer? Contar tudo de uma vez, e deixá-lo morrer sabendo que durante 2 anos de sua vida foi enganado, traído? Ou esconder no coração, e aguentar a consciência doer durante o resto da vida?

Após 3 dias de muito pensar, Luana chegou à decisão. Por mais doloroso que pudesse ser, terminaria tudo com Carlos, e se dedicaria aos últimos momentos de seu pai. Quem sabe depois que ele enfim partisse, ela seria livre para amar Carlos novamente. Isso se ele ainda estivesse esperando por ela.. Mas ainda assim, decidiu correr o risco.

Chegada a noite, combinaram de se encontrar no mesmo lugar de sempre. Na frente da igrejinha.

Ela: Meu amor, preciso te contar uma coisa.. mas estou sem coragem, e sei que você não vai gostar.
Ele: Minha linda, o que pode vir de você, por mais terrível que seja, que eu não goste? Amo você por inteiro, cada centímetro do seu corpo, cada palavra que sai da sua boca, e a sua boca.. Essa amo demais.
Ela: Pára, assim você deixa tudo mais difícil.. Preciso que você ouça tudo o que eu tenho pra falar, aceite, e não diga nada depois. Promete?
Ele: Não posso prometer, mas vou tentar. Você está me assustando. O que te falaram que eu fiz?
Ela: Nada. O problema é comigo. Você sabe que papai está doente, e o prognóstico é sombrio. Hoje é o terceiro dia de coma, e ele não parece estar independente dos aparelhos e remédios.
Ele: Eu sei, meu anjo. Mas já já isso passa.. Ele vai ficar bem. Sei que é difícil, queria que meu pai estivesse vivo, mas estou aqui pra te dar toda a força que você precisar. Me dá um abraço, você está tão longe de mim. O que está acontecendo?

Carlos tenta abraçar Luana, mas ela se esquiva.

Ela: Não, Carlos. Deixa eu terminar o que eu tenho pra falar. Você disse que ia tentar ficar calado, então, não diga nada.
Ele: Tudo bem, continue.
Ela: E, a probabilidade do meu pai não estar comigo futuramente, é muito grande. Não quero que ele morra enganado. Sinto que já o enganamos demais. Tenho vergonha de olhar pra ele, e me desespero ao lembrar que ele sempre me chamou de filhinha do coração, orgulho do papai, e de todas as vezes que me pegou no colo, me fez carinho para dormir, e declarou aos 4 cantos do mundo o seu imenso amor por mim.
Ele: Meu amor, agora você definitivamente está me assustando. Não vai me dizer que você..
Ela: Sim, é isso mesmo. Andei pensando muito nesses três dias, e essa é a minha decisão. Carlos, quero te ver feliz, e não vou conseguir, se eu não estiver feliz primeiro. Todas as vezes que olho pra você, me vem a imagem do meu pai morrendo, e eu o enganando.. não sei, não consigo explicar. Só sei que quero você livre. Livre de mim, dos meus sofrimentos, meus problemas, minhas confusões, minha consciência..

Pausa: Os olhos dos dois estão em lágrimas. As mãos tremem, o coração parece querer pular. A noite está serena, nem um movimento na rua. Mas a chuva de pensamentos e emoções transforma o ar calmo, em uma turbulenta tempestade. Carlos entrelaça seus dedos nos de Luana, encosta a sua cabeça na parede e chorando como uma criança desesperada, diz:

Ele: Luana, meu amor, mulher da minha vida.. Você quer me ver feliz?
Ela: É o que eu mais quero nesse mundo.. mas..
Ele: Então.. Casa comigo?
Ela: Mas..
Ele: Casa comigo? Não precisa ser hoje, nem amanhã. Só me promente que daqui há uma semana eu vou acordar e perceber que isso tudo foi só um pesadelo, uma loucura sua, que passou.. Que a gente vai continuar namorando, casar e realizar todos os sonhos que construímos juntos..
Ela: Você disse que ia ficar calado.. Não faz ficar mais difícil do que já está.. Essa é a minha decisão e eu não posso voltar atrás.. Por favor, só diz que me entende e vai embora..
Ele: Me dá um abraço, e esquece tudo isso..

Luana o abraça, e quando Ele tenta beijá-la, ela vira o rosto, e diz..

Ela: Não posso.. Te amo, mas eu não posso. Me perdoa, eu te amo.. Me perdoa.

E então vira de costas e sai correndo de volta para casa. Sobe o elevador, corre para a sacada e de lá de cima vê carlos, chorando sozinho. Vai para o quarto, lê novamente todas as cartas, os cartões.. Abraça todos os ursinhos, perfumados com o cheiro dele. Toca todas as rosas secas de recordação, relembra todos os momentos que passaram juntos.. O arrependimento insiste em surgir.. Mas ela não voltou atrás. Quem sabe deixou de viver o maior amor de sua vida. Quem sabe, não.

O tempo passou. Luana não atendeu os telefonemas, não respondeu as cartas, nem os emails. Carlos viajou para longe, e os dois nunca mais se encontraram. Guardam hoje lembranças de um amor que não viveu. Que tristemente, cedo, morreu. De sentimentos que o tempo abafou. Quem sabe ainda se encontrem, quem sabe não.

Na vida, diferentemente de um conto de fadas, nem tudo é perfeito. Talvez Luana precisasse dessa lição. Talvez não.

Hoje as cartas não mais existem. Nem as rosas, nem os ursinhos, nem as fotos. Só um carinho grande, pelo Carlos. O Carlos de 21 anos. Bobo, apaixonado. E a Luana, de 15 anos. Sonhadora, inocente.

Se era amor? Talvez hoje, com 35 anos, Luana diga que não.. mas o que é o amor na sua forma mais pura, se não o amor vivido por dois amantes apaixonados? Talvez Luana nunca mais viva um amor desses.. Talvez volte a viver. Talvez com Carlos, talvez com João.. Talvez sim, talvez não.

Mas dessa vez, fica a lição. Se você tem um amor, viva-o intensamente. Aproveite cada segundo dele. Lute por ele. Não deixe que ele se perca em pequenas besteiras, brigas sem razão, ciumes bobos, vergonha, dúvida, insegurança ou na sua rotina. Aproveite cada sorriso, cada olhar, cada toque. Cada canção, cada filme, cada momento. Quando estiver chateado, pense: Talvez exista alguém que te faça mais feliz no mundo. Talvez não. Pra que arriscar?