terça-feira, 27 de abril de 2010

Amor em sinfonia..


No pentagrama da minha vida, segue sem parar uma grande sinfonia.
Ora em ritmos clássicos, hora, em síncopes e tercinas.
Se em alguns momentos semi-breves ou até as famigeradas breves se fazem presentes em longos compassos, em outros, semi-fusas lutam e se aglomeram, disputando espaços em compassos curtos.
Na maioria das vezes, clave de sol, e clave de fá se complementam. Tocam juntas a dissonância dos meus dias quando estou só, e a doce harmonia que só existe quando estou contigo.
E, se teus olhos se fixam à minha composição, surgem pausas longas, compasso após compasso. As notas musicais parecem não ter pressa alguma em tocar. Se demoram em longas fermatas, originando o suspense mais angustiante e apaziguador que pode existir. A plena certeza de que o final está distante, motiva novas notas a se arriscarem em novos andamentos, dançando nos espaços e nas linhas, desenhando movimentos jamais tocados..
Dias de chorinhos, noites de valsas. Manhãs de alegrettos, tardes de bossa-nova. Primavera, outono, inverno e verão. Não importa a estação. De Vivaldi a Bach. De Mozart a Beethoven. A cada dia, uma nova composição. E, se longe de ti minha melodia entristece e pausas aparecem, quando estás comigo, sorrisos brotam em colcheias, mínimas e semínimas. A felicidade é tanta, que apenas duas claves não conseguem suportar. Surge uma clave de dó, e outras claves de sol, e até claves de fá. E se bemóis insistem em aparecer nas minhas escalas, os sustenidos da tua anulam qualquer acidente.. Sempre tens uma relativa para cada primitiva minha, e com as inversões dos acordes antigos, nossas possibilidades sempre ampliam.. E assim as claves se encaixam, como num lindo concerto tocado à 4 mãos, onde notas diferentes não se conflitam.. Apenas se completam engrandecendo a harmonia. Se em um dia toco fortíssimo, tu me acalmas com um leve pianíssimo. Se um dia estou staccato, teus braços me tornam legato. E se um momento foi bom demais, escrevemos retornelos e retornelos, até o tornar-mos inesquecível. Nada é demasiado grande ou finito quando estou contigo. Juntos, minha música somada a tua, levam ao compasso do infinito.

domingo, 18 de abril de 2010

Saudade de vc...


Que me perdoem os (ir)racionais..
E que me apóiem todos os apaixonados da terra..
Mas eu não sei mais o que é acordar sem um sorriso rasgando as bochechas..
Não sei como aguento passar tanto tempo longe de ti,
Ainda que todo esse tempo sejam uns poucos dias.
Quando te vais para longe de mim,
Me sinto absurdamente só.
Estás tão presente nos meus pensamentos, e marcado tão fundo no meu coração..
Te tornaste tão fundamental na minha vida,
que quando te afastas, me sinto inteiramente vazia.
A cada noite que termina, penso não caber mais no meu coração, tanta felicidade.
E a cada dia que inicia, você O faz crescer um pouco mais.
Nada é tão ruim, quando você está do meu lado.
E nada é tão bom, se estás longe de mim.
Que me perdoem os solitários,
Mas já não sei mais o que é viver sem ter você.
Que me perdoem os ambiciosos,
mas a minha maior ambição é te querer.
E te querer, não somente para hoje.. mas querer viver com você, num momento chamado SEMPRE.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Tempestade em banhos de chuva..



O que pode ser bom em um banho de chuva?
Sentir as gotas grossas e geladas, quase cortando a pele?
Não poder abrir os olhos, e enxergar tudo meio embaçado?
Não conseguir falar direito por causa da mandíbula tremendo?
Ter pés imundos de lama, e a roupa completamente molhada?

O que pode ser bom em um banho de chuva?
As ruas se fazem rios, o trânsito pára.
Ninguém sai de casa..
e quem sai, corre o risco de adquirir uma gripe poderosa.
O churrasco do domingo, perde o sabor.

Mas sabe o que pode ser bom em um banho de chuva?
Sentir as gotas geladas tocando a pele, quando o sangue está fervendo..
Não poder abrir os olhos, e ter que chegar bem pertinho dele para enxergar..
Não conseguir falar direito, não pelo tremor.. mas pela mais pura felicidade..
Ter os pés sujos de lama, a roupa completamente molhada, e simplesmente não se importar..

Sabe o que realmente tem de bom em um banho de chuva?
As ruas viram rios, e o trânsito anda bem devagarzinho..
Ninguém sai de casa..
E o churrasco de domingo, vira cena de filme romântico..

Sabe o que deixa bom, um banho de chuva?
Quem está do seu lado pra compartilhar cada uma dessas situações..

Que te empresta os próprios braços, pra te esquentar..
E uma toalha seca pra te enxugar..
Que no trânsito lento, dirige ainda mais devagar..
Pra prolongar aquele momento bom..
Que não precisa te levar pra passear pra fazer um dia perfeito.
Faz um dia ainda melhor, mesmo dentro de casa.

Sabe o que faz a diferença entre um banho de chuva, e uma tempestade?
Quem está do seu lado, te fazendo sorrir, não somente por fora, mas principalmente por dentro...
Esquecendo completamente o que acontece do outro lado da janela..
Ainda que essa janela seja o lado de fora da alma..

;)

Texto criado em homenagem ao meu primeiro banho de chuva!!

quarta-feira, 31 de março de 2010

Um amor cachorro..



Hoje eu descobri que quero um amor cachorro. Sim, porque de amores gatos, o mundo já está cheio. Gatos são auto-suficientes. Sempre - ou quase sempre - querem algo em troca. Gatos, só vêm quando precisam de algo seu. São carinhosos, deitam no seu colo.. e assim que recebem o que querem, levantam o rabinho e partem para a vida solitária.

Hoje descobri que procuro um amor cachorro, e não papagaio. O mundo, a tv, e os vizinhos já falam demais. Hoje eu entendi que as vezes é necessário se manter em silêncio. E palavras faladas demais, perdem o valor e o sentido. Entendi que de nada adianta o falar da boca, se no fundo do peito, o coração continuar vazio.

Hoje eu percebi que quero um amor cachorro, e não um amor galo. (p/ não dizer "galinha"). Afinal, do que adianta um amor pomposo, cheio de poses e aparências, se tudo o que ele faz, é desfilar no galinheiro, 'pegando' todas as galinhas? O amor galo precisa perceber que mais difícil do que conquistar o mundo (galinheiro), é conquistar a sí próprio, e manter conquistado um único outro alguém, durante a vida inteira.

Hoje, eu percebi que não quero um amor pingüim.. Amor pingüim é eterno, perfeito demais.. Tão imaginário, que acaba se tornando irreal. O amor de pingüim é do tipo platônico, e eu, quero um amor bastante real.. Com tudo o que tiver direito, inclusive defeitos, lágrimas, erros, qualidades, sorrisos e perdão..

Hoje eu descobri que preciso de um amor cachorro. Daqueles, tipo pastor alemão, sabe? Companheiro fiel pra vida toda. Que pule comigo, comemorando cada vitória alcançada.. mas que também seja perspicaz o suficiente para perceber a minha tristeza.. E quando assim estiver, chegue de mansinho ao meu lado, deite no meu colo, e com o olhar puro e sereno que só os cachorros conseguem ter, me prometa num silêncio profundo que vai ficar tudo bem.

O meu medo agora, é descobrir que preciso mesmo, é de um cachorro de verdade...

domingo, 21 de março de 2010

Surpresas, promessas e lembranças.



É incrível como o tempo passa, as feridas cicatrizam, mas nunca deixam de ser lembradas.
Ainda que percam a sensibilidade, se tornando ao menos, não dolorosas, marcam a carne profundamente, mostrando a todos que algo intenso, as vezes conhecido apenas pelo portador de tal arte sombria, foi sofrido.
É incrível como assim como o corpo, a mente jamais esquece certos momentos, situações, palavras, atos, cores, cheiros, texturas.. promessas... Feitas num instante, e que num outro, pouco mais a frente, se tornam tão absurdas, quanto impossíveis.
É incrível que ainda assim, um neurônio voluntáriamente por nós atrofiado, insista em dar sinal de vida, emitindo uma sinapse que logo faz o cérebro e o corpo inteiro conectarem-se ao sistema límbico, e relembrar em frações de segundos, ANOS.
É incrível descobrir a capacidade que temos de lembrar os mínimos detalhes, que nem mesmo tínhamos percebido outrora a dimensão de suas importâncias.
Mais incrível ainda é, mesmo relembrando memórias ruins, que fazem o coração sentir a mesma dor que sentiu a tanto tempo, conseguir sobrepor à mente, memórias boas, fazendo repousar em paz, um difunto ainda vivo, que por nossa própria vontade, decidimos enterrar.
E assim, segue a vida, cada um no seu rumo, com suas memórias, seus flashs, e seus destinos. Desligando novamente, mais uma vez, e quantas outras forem preciso, esse neurôniozinho teimoso que insiste em disparar.
E nessa aventura imprevisível, repleta de mudanças imprevisíveis, eu, prefiro permanecer calada. Fazendo das promessas que me foram feitas, brincadeiras de uma criança que não soube o que falava. E aprendendo que se me é dada a oportunidade de prometer algo que não tenho 100% de certeza que poderei cumprir, é SEMPRE melhor permanecer calada.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Ela, um amor. Ele, um sorriso. Os dois, a felicidade.



Ela queria se formar, ser alguém. Ele, curtir a vida. Ela ouvia música clássica. Ele, sertanejo. Ela fazia medicina. Ele, egenharia civil. Ela gostava de cachorros. Ele, de gatos. Ela era caseira. Ele, adorava "ruar". Ela, gostava de escrever. Ele, de cantar. Ela preferia caminhonetes. Ele, carros esportivos. Ela, sonhava em morar em São Paulo. Ele, no Rio. Ela, queria um casamento. Ele, uma aventura amorosa.

No final das contas, se conheceram por ironia do destino, quando o namoro do irmão DELA, com a irmã DELE, não deu certo.

Assim, seguindo a velha regra dos opostos, se atraíram de maneira sobrenatural...

Ela, se formou, e é uma excelente médica. Constrói órgãos artificiais. Ele, curte a vida construindo casas, prédios... Ela, aprendeu a ouvir sertanejo. Ele, a gostar de música clássica. Juntos, escutam bossa-nova. Compraram um labrador marrom, um gato persa, e ainda ganharam um hamster. Eles compraram a caminhonete, esportiva, e um carro esporte, grande. Ela, continua escrevendo, e ele, cantando. Só que agora, ele canta o que ela escreve. E ela escreve coisas para ele. Ela, passa a semana trabalhando, e ele também. No final de semana, saem no sábado, e namoram em casa no domingo. Ah, e moram em Curitiba. Mas têm um apartamento em SP, e uma casa com vista pra praia de São Conrado no Rio. Eles? Casaram. E descobriram que juntos, assim, nessa mistura louca da vida, conseguiram tudo o que queriam e muito mais. Conseguiram o mundo, e mais do que isso. Conseguiram na imensidão do mundo, encontrar um ao outro, e só. A sós, se descobrem de pouquinho em pouquinho a cada dia, escrevendo juntos cada capítulo da eterna aventura que decidiram protagonizar. A aventura de amar e ser amado, apesar de tudo. A aventura de viver, e descobrir que a vida é mais feliz, quando se vive acompanhado. E no caso deles, muito, muito bem acompanhados.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Meu "velho" jeito de ser.



Tem gente que gosta de tudo novo. Cabelo novo, roupa nova, carro novo, casa nova.. Não há nenhum problema em gostar de novidades. É o natural do ser humano. Mas eu, particularmente, gosto do velho também. Na verdade, as coisas antigas me fascinam. O charme dos móveis antigos, das casas com o pé-direito altíssimo.. O glamour dos lustres, e das molduras de quadros antigos.. Os melhores instrumentos musicais então, são aqueles arcaicos, feitos à mão, com a devida restauração, claro. E dizem que quanto mais velho for o instrumento, mais aveludado e penetrante se torna o som. Imaginem um Violino Stradivarius com o corpo talhado à mão, carregando na alma e na madeira, as marcas do tempo, "duetando" com um recém feito violino estridente. O som rude, se faz respeitar por sí próprio, independente do som gritante e explosivo do outro. Traduzem nas notas musicais, as lágrimas que nunca vão poder chorar.
Eu gosto do velho, porque simboliza a experiência, sabedoria, calma e paciência. Eu gosto do velho porque vai contra o sentido do mundo, e faz refletir a minha essência. Mas se eu gosto tanto assim do velho, é por causa das lembranças que o passado me trás. Desde a velha infância, tempos onde eu esperava sentada na varanda a fornada de "biscoitos-voadores" que minha vovó fazia todas as tardes na fazenda.. até o velho ontem. Desde um tempo, passei a observar mais e falar menos. A vida se tornou sublime, suave. Uma aventura ainda que silencilosa, que eu tento guardar todos os dias. O ano mal começou e eu já sinto em mim a mudança que essa nova fase da vida trás. Saudosista, tento hoje guardar em mim, as minhas melhores lembranças. Com a minha máquina fotográfica, relativamente antiga, nos padrões atuais, registro os melhores momentos. E sabe o que mais me fascina nas lembranças? O fato de que elas eternalizam dentro de nós o que temos de mais precioso e passageiro. A vida.