domingo, 21 de março de 2010

Surpresas, promessas e lembranças.



É incrível como o tempo passa, as feridas cicatrizam, mas nunca deixam de ser lembradas.
Ainda que percam a sensibilidade, se tornando ao menos, não dolorosas, marcam a carne profundamente, mostrando a todos que algo intenso, as vezes conhecido apenas pelo portador de tal arte sombria, foi sofrido.
É incrível como assim como o corpo, a mente jamais esquece certos momentos, situações, palavras, atos, cores, cheiros, texturas.. promessas... Feitas num instante, e que num outro, pouco mais a frente, se tornam tão absurdas, quanto impossíveis.
É incrível que ainda assim, um neurônio voluntáriamente por nós atrofiado, insista em dar sinal de vida, emitindo uma sinapse que logo faz o cérebro e o corpo inteiro conectarem-se ao sistema límbico, e relembrar em frações de segundos, ANOS.
É incrível descobrir a capacidade que temos de lembrar os mínimos detalhes, que nem mesmo tínhamos percebido outrora a dimensão de suas importâncias.
Mais incrível ainda é, mesmo relembrando memórias ruins, que fazem o coração sentir a mesma dor que sentiu a tanto tempo, conseguir sobrepor à mente, memórias boas, fazendo repousar em paz, um difunto ainda vivo, que por nossa própria vontade, decidimos enterrar.
E assim, segue a vida, cada um no seu rumo, com suas memórias, seus flashs, e seus destinos. Desligando novamente, mais uma vez, e quantas outras forem preciso, esse neurôniozinho teimoso que insiste em disparar.
E nessa aventura imprevisível, repleta de mudanças imprevisíveis, eu, prefiro permanecer calada. Fazendo das promessas que me foram feitas, brincadeiras de uma criança que não soube o que falava. E aprendendo que se me é dada a oportunidade de prometer algo que não tenho 100% de certeza que poderei cumprir, é SEMPRE melhor permanecer calada.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Ela, um amor. Ele, um sorriso. Os dois, a felicidade.



Ela queria se formar, ser alguém. Ele, curtir a vida. Ela ouvia música clássica. Ele, sertanejo. Ela fazia medicina. Ele, egenharia civil. Ela gostava de cachorros. Ele, de gatos. Ela era caseira. Ele, adorava "ruar". Ela, gostava de escrever. Ele, de cantar. Ela preferia caminhonetes. Ele, carros esportivos. Ela, sonhava em morar em São Paulo. Ele, no Rio. Ela, queria um casamento. Ele, uma aventura amorosa.

No final das contas, se conheceram por ironia do destino, quando o namoro do irmão DELA, com a irmã DELE, não deu certo.

Assim, seguindo a velha regra dos opostos, se atraíram de maneira sobrenatural...

Ela, se formou, e é uma excelente médica. Constrói órgãos artificiais. Ele, curte a vida construindo casas, prédios... Ela, aprendeu a ouvir sertanejo. Ele, a gostar de música clássica. Juntos, escutam bossa-nova. Compraram um labrador marrom, um gato persa, e ainda ganharam um hamster. Eles compraram a caminhonete, esportiva, e um carro esporte, grande. Ela, continua escrevendo, e ele, cantando. Só que agora, ele canta o que ela escreve. E ela escreve coisas para ele. Ela, passa a semana trabalhando, e ele também. No final de semana, saem no sábado, e namoram em casa no domingo. Ah, e moram em Curitiba. Mas têm um apartamento em SP, e uma casa com vista pra praia de São Conrado no Rio. Eles? Casaram. E descobriram que juntos, assim, nessa mistura louca da vida, conseguiram tudo o que queriam e muito mais. Conseguiram o mundo, e mais do que isso. Conseguiram na imensidão do mundo, encontrar um ao outro, e só. A sós, se descobrem de pouquinho em pouquinho a cada dia, escrevendo juntos cada capítulo da eterna aventura que decidiram protagonizar. A aventura de amar e ser amado, apesar de tudo. A aventura de viver, e descobrir que a vida é mais feliz, quando se vive acompanhado. E no caso deles, muito, muito bem acompanhados.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Meu "velho" jeito de ser.



Tem gente que gosta de tudo novo. Cabelo novo, roupa nova, carro novo, casa nova.. Não há nenhum problema em gostar de novidades. É o natural do ser humano. Mas eu, particularmente, gosto do velho também. Na verdade, as coisas antigas me fascinam. O charme dos móveis antigos, das casas com o pé-direito altíssimo.. O glamour dos lustres, e das molduras de quadros antigos.. Os melhores instrumentos musicais então, são aqueles arcaicos, feitos à mão, com a devida restauração, claro. E dizem que quanto mais velho for o instrumento, mais aveludado e penetrante se torna o som. Imaginem um Violino Stradivarius com o corpo talhado à mão, carregando na alma e na madeira, as marcas do tempo, "duetando" com um recém feito violino estridente. O som rude, se faz respeitar por sí próprio, independente do som gritante e explosivo do outro. Traduzem nas notas musicais, as lágrimas que nunca vão poder chorar.
Eu gosto do velho, porque simboliza a experiência, sabedoria, calma e paciência. Eu gosto do velho porque vai contra o sentido do mundo, e faz refletir a minha essência. Mas se eu gosto tanto assim do velho, é por causa das lembranças que o passado me trás. Desde a velha infância, tempos onde eu esperava sentada na varanda a fornada de "biscoitos-voadores" que minha vovó fazia todas as tardes na fazenda.. até o velho ontem. Desde um tempo, passei a observar mais e falar menos. A vida se tornou sublime, suave. Uma aventura ainda que silencilosa, que eu tento guardar todos os dias. O ano mal começou e eu já sinto em mim a mudança que essa nova fase da vida trás. Saudosista, tento hoje guardar em mim, as minhas melhores lembranças. Com a minha máquina fotográfica, relativamente antiga, nos padrões atuais, registro os melhores momentos. E sabe o que mais me fascina nas lembranças? O fato de que elas eternalizam dentro de nós o que temos de mais precioso e passageiro. A vida.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Ahh...



Quem não sente saudade de estar apaixonado, e ser correspondido? Mais do que isso, quem não sente saudade de amar profundamente, e num "duelo" de declarações apaixonadas bobas, acabar se conscientizando de que absolutamente NADA no mundo teria mais valor do que aquele simples momento? Então, não conseguindo mais expressar apenas com palavras a dimensão do sentimento, no meio de lágrimas de felicidade, típicas de uma reconciliação, troca-se um lindo beijo cinematográfico, que absolutmente NADA tem de técnico.
Depois do beijo, os olhos permanecem fechados, como tentando guardar no lugar mais protegido do cérebro, todos os mínimos detalhes daqueles aparentes segundos.. reviver cada pedacinho. Melhor ainda: Abrir os olhos devagarinho, e ver o seu reflexo brilhar nos olhos do outro, competindo com um lindo sorriso, que devagarzinho se forma junto ao seu, e ter a certeza que não é sonho. É real! E ter a certeza de que a vida proporciona todo o tempo do mundo para outros e outros momentos como este, se torna um consolo para o fim daqueles lindos segundos. Um abraço bem longo e apertado, perfumado à mistura dos dois perfumes. Pescoços encaixados.. sentir o coração do outro pulsar forte e acelerado na própria pele. O carinho nos cabelos e a outra mão presa fortemente à cintura.. Como se cada um dissesse no silêncio da linguagem corporal a quem o outro pertence.. É o clímax da felicidade. Acho que eu estou com saudade de amar e me sentir amada dessa maneira.

Atenção:
1)Não é saudade de alguém, e sim, do fato.
2) Isso não é um pedido, nem um convite, por favor. É apenas um desabafo.

E viva a felicidade!

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Recordações..



Hoje eu estava organizando o meu armário, e encontrei a caixa onde guardo todas as cartinhas, bilhetinhos, etc. que recebo.. Eis aqui uma, de um amigo apaixonado, de muuuuuitíssimo tempo atrás.


Sassá
Sinto que a conversa que tivemos não foi suficiente para dizer tudo o que preciso. Na verdade, escrevo tbm, pq sei que palavras ditas são esquecidas pelos problemas que o tempo traz, enquanto as escritas, ficam como marcas na rocha, se tornando eternas.
Não consigo entender meus sentimentos, nem o porquê, nem mesmo o nome. Só sei que minhas noites não são mais as mesmas, desde algum tempo. Não sei o que acontece, mas quando fecho os olhos, é você quem me vem a cabeça. Mesmo depois que vc disse tantas verdades ( que apesar de verdades, ninguém no meu lugar gostaria de ouvir), eu ainda enxergo uma luz no fim do túnel.
Só queria que vc soubesse que te entendo perfeitamente.. sério. Contudo, não é fácil se declarar, expor sentimentos mesmo sabendo a resposta. Mais difícil ainda, é tentar dormir quando não consigo parar de pensar em você. E quando consigo, você ainda está lá, nos meus sonhos.
Sabe, tem vezes que eu vejo você como uma núvem. Não por ser passageira, mas sim, inalcançável. Quanto mais perto eu chego, mais você se desfaz. Então, 10 minutos se passam e eu volto a acreditar que se eu puder me esticar mais um pouquinho.. só mais um pouquinho, quem sabe poderia te alcançar.
Obrigado por ler meus desabafos. Só queria que você soubesse que isso não está passando, e que quando quiser, pode me ligar que você não estará me machucando, afinal, eu vou estar conversando com você e isso me deixa muito feliz.
Beijão Sassá.

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-> Será que alguém pode me explicar por que depois que a gente cresce, fica tão difícil encontrar um sentimento tão sincero quanto esse? Por que o amor (entre homens e mulheres) parece nascer a adolescência, se esconder na juventude, e voltar a desabrochar na velhice? Sinceramente, espero não ser esse o meu fim.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

(in)satisfação - Uma questão de prefixos.



Algumas pessoas colocam a culpa no destino. Outras, culpam a sí próprias. Eu não sei bem a quem culpar. Talvez porque na verdade não haja culpa alguma. Ou...

Talvez o problema esteja comigo, bem na minha essência.
Como todo acadêmico de mecidina, apaixonado pela profissão, sempre gostamos dos casos mais difíceis, mais raros, mais impossíveis. Nos fascinamos com paradas cárdio-respiratórias, choques anafiláticos, bronco-espasmos, e comas profundos. Não, a morte não é a nossa busca. Mas a sensação de roubá-los dela quando tudo e todos já haviam dado o veredito final, é simplesmente fascinante, recompensadora. E nesses casos, nunca medimos esforços. Noites e noites viramos acordados de plantão, torcendo baixinho para que tudo termine bem. E quase sempre termina. O poder concedido por Deus para salvar e transformar vidas é tão maravilhoso quanto sermos dignos de sair "voando" pelos corredores, como super-heróis, carregando nossa super-capa branca..

Talvez seja por essa eterna busca pelo milagre, pela transformação, pelos casos impossíveis, que ainda não tenha me "realizado" em todos os sentidos da vida.. mas, como toda troca de plantão, como toda "alta" assinada, como todo sorriso sincero de agradecimento do paciente e da família após um esforço sub-hunano, eu sei o quanto a esperança e perseverança compensam..

E se meus sonhos nem sempre se realizam, e pesadêlos se fazem presentes, eu sei que não preciso temer. É só esperar mais um pouquinho, que a manhã, assim como o fim do plantão, já está chegando. O segredo, é sempre lembrar que são nas noites mais escuras, que as estrelas brilham mais. Afinal, do que seria a vida, se não houvesem sonhos pelos quais valesse a pena viver e lutar?

sábado, 23 de janeiro de 2010



O papel já está gasto de tanto apagar. O lápis já quase sem grafite, insiste em rabiscar. Rápido, corre da borracha, que não tema em trabalhar. E mais uma vez, o coração continua quase em branco.
Tantas desculpas ensaiadas, tantos diálogos formulados e treinados sempre no pensamento em frente ao espelho, como se eu pudesse desabafar e enfim dizer à você tudo o que está preso aqui dentro.. Mas a boca nada consegue expressar. Os lábios tremem mas nenhum som é ouvido.
A mente está livre, mas o coração continua preso. Lágrimas, ah.. as velhas lágrimas. Companheiras de longa data.. Nem elas apareceram para me consolar. Foi assim que eu entendi que as lágrimas mais sentidas, aquelas mais doloridas, não são as que escorrem pelo rosto, e sim, aquelas que deslizam devagar, silenciosas no interior da alma. Tempestade de pensamentos atordoam a quietude que insisto em tentar reformular. Só não encontro fórmula poderosa o suficiente para solucionar os problemas que você um dia me causou. Já usei tantas borrachas na tentativa de te apagar.. mas sempre fica uma mancha escura. As letras do teu nome, ainda que sem cor, permanecem como marcas profundas, escritas bem no centro, do meu coração. E parece que quanto mais forte eu aperto a borracha, mais profunda fica a marca. Às vezes tento me enganar, me iludir, acreditar que já recuperei o branco puro, mas hoje percebi que é tudo perda de tempo. Nenhuma borracha que eu use conseguirá te apagar. Nem outros lápis, muito menos algum pincél. Preciso mesmo, é de um coração mais duro, já que o meu é um simples, fino, amassado, molhado e quase apagado, coração papel.


Sk, em alguns muitos meses atrás.