
É incrível como o tempo passa, as feridas cicatrizam, mas nunca deixam de ser lembradas.
Ainda que percam a sensibilidade, se tornando ao menos, não dolorosas, marcam a carne profundamente, mostrando a todos que algo intenso, as vezes conhecido apenas pelo portador de tal arte sombria, foi sofrido.
É incrível como assim como o corpo, a mente jamais esquece certos momentos, situações, palavras, atos, cores, cheiros, texturas.. promessas... Feitas num instante, e que num outro, pouco mais a frente, se tornam tão absurdas, quanto impossíveis.
É incrível que ainda assim, um neurônio voluntáriamente por nós atrofiado, insista em dar sinal de vida, emitindo uma sinapse que logo faz o cérebro e o corpo inteiro conectarem-se ao sistema límbico, e relembrar em frações de segundos, ANOS.
É incrível descobrir a capacidade que temos de lembrar os mínimos detalhes, que nem mesmo tínhamos percebido outrora a dimensão de suas importâncias.
Mais incrível ainda é, mesmo relembrando memórias ruins, que fazem o coração sentir a mesma dor que sentiu a tanto tempo, conseguir sobrepor à mente, memórias boas, fazendo repousar em paz, um difunto ainda vivo, que por nossa própria vontade, decidimos enterrar.
E assim, segue a vida, cada um no seu rumo, com suas memórias, seus flashs, e seus destinos. Desligando novamente, mais uma vez, e quantas outras forem preciso, esse neurôniozinho teimoso que insiste em disparar.
E nessa aventura imprevisível, repleta de mudanças imprevisíveis, eu, prefiro permanecer calada. Fazendo das promessas que me foram feitas, brincadeiras de uma criança que não soube o que falava. E aprendendo que se me é dada a oportunidade de prometer algo que não tenho 100% de certeza que poderei cumprir, é SEMPRE melhor permanecer calada.





